‘A gente está reaprendendo a fazer música’, dizem ex-integrantes do Charlie Brown Jr
"São tudo da minha laia”, anuncia a música “A Banca”, do Charlie Brown
Jr. Foi com a ideia contida nesses versos que, após a morte de Chorão,
os ex-integrantes da banda decidiram se reunir e iniciar um novo
projeto. Inspirados tanto pelo título “A Banca”, quanto pela expressão
homônima bem conhecida na periferia – onde simboliza uma turma, uma
galera, no caso “A Banca do Charlie Brown Jr” –, os ex-integrantes
reforçam a ideia de manter viva a essência e ideologia do grupo.
A decisão não foi rápida, muito menos fácil. Morto em março deste ano
por overdose, Chorão deixou um vazio em muitos fãs e, principalmente,
nos colegas de banda, que afirmam categoricamente que o Charlie Brown
não existe sem ele. “A gente voltou para estrada fazendo uma homenagem
ao Chorão e aos 20 anos de Charlie Brown, que reúne músicas de toda a
nossa carreira, e estamos rodando o Brasil afora com esse show”, contou
Champignon em entrevista ao Bahia Notícias na tarde desta sexta-feira
(12).
O tributo “Chorão Eterno”, no entanto, tem data para terminar. “Esse show será apresentado durante um tempo, talvez até o final do ano, mas em breve lançaremos um single, como parte do álbum que já estamos preparando”, garantiu. Sobre o primeiro álbum da banda, que ainda não tem data prevista de lançamento, Thiago e Champignon garantem que não terão problemas no quesito composições, mesmo com a morte do maior letrista da banda. “A gente está reaprendendo a fazer música com tudo isso e usando tudo isso a nosso favor, como aprendizado, porque a vida é superação e amanhã pode ser um dia totalmente diferente do que você imaginou que seria”, disseram.
Montado, dirigido, editado e produzido pelo filho de Chorão, Alexandre Abrão, o último clipe da banda, intitulado “Meu Novo Mundo” é uma celebração e uma homenagem. Alexandre, que já vinha trabalhando com o Charlie Brown nos últimos cinco anos e atuava como fotógrafo e videomaker, resolveu dar um bom fim às muitas imagens que tinha em seu arquivo. “O que eu queria era passar toda a energia do Charlie Brown, não só do meu pai, mas também a união da banda, os solos incríveis, o Graveto quebrando a batera, o Marcão solando com o dente... É um clipe do Charlie Brown e uma homenagem ao Chorão”, sintetizou. Para Alexandre, todo o processo de recuperar, editar e montar esse material foi muito difícil. “Foi um processo muito difícil, porque eu e não consigo ver uma foto de meu pai ao mesmo tempo em que ouço ele cantar. Em movimento, pior ainda, porque ele costumava interagir comigo e com a câmera o show. Então eu não consigo olhar muito para essas imagens, porque eu caio. Uma hora, a gente sempre cai”, contou.
FONTE: BAHIA NOTICIAS

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